26 fevereiro 2006

Alternativa musical



Para os menos atentos informo que se encontra do lado direito, em baixo do contador de visitas, um link para a Accuradio. Numa altura em que temos falta de rádios com boas selecções musicais, fica aqui a alternativa porque é possível escolher desde Jazz , Rock, Country, Celtica, entre outros géneros musicais.
Fica a sugestão. Para ouvir enquanto se lê este blogue.

25 fevereiro 2006

José Carlos Malato



Tem 41 anos, é realizador de rádio, apresentador de televisão e professor Universitário.
Actualmente apresenta na RTP, todos os dias, o programa “Portugal no Coração” e o concurso a “Herança”.
Aponta como seu maior defeito aquilo que diz ser a sua maior virtude: acreditar.
Nesta entrevista conhecemos aquele que Emídio Rangel elegeu como o apresentador do ano em 2004 e 2005.



José Manuel Monteiro: A vontade de fazer televisão aconteceu por acaso, ou era um sonho de sempre?

José Carlos Malato:
Olhando para trás, acho que sempre tive um Eládio Clímaco dentro de mim. (risos). O Festival da Canção foi o meu primeiro calcanhar de Aquiles.

JMM: Explica-me como foste parar à RTP.

JCM: Por amizade. O convite foi de Helena Forjaz.

JMM: Como apresentador já tive a oportunidade de te ver em vários registos.
Formal em algumas galas, informal no Portugal no Coração e muito mais sério nos concursos. Qual preferes ou onde te sentes melhor?

JCM: Gosto de ser uma espécie de camaleão da comunicação. Tal como ele, o segredo é a adaptação ao meio.

JMM: Há muitas diferenças entre fazer um programa à tarde ou um no horário nobre?

JCM: Diferenças há e muitas. À noite, faz-se e vê-se televisão com a cabeça. De manhã e à tarde, com o coração.

JMM: Já entrevistaste muitas pessoas. De quem guardas melhores recordações e porquê?

JCM: Tantas, tantas, em três anos, todos os dias. Gostei daquela vez em que o Dr. Fernando Nobre da AMI, me olhou fundo nos olhos, e disse: “Já vi morrer tanta gente. Na morte somos todos iguais. Eu, quando morrer, só espero que alguém esteja ao meu lado, e me segure na mão.”

JMM: E piores?

JCM: Não me atrevo a dizer o nome. Chegou atrasado, passou o programa todo a mascar pastilha elástica e a mandar mensagens de telemóvel.

JMM: Com as oportunidades que a RTP te tem dado, sentes-te realizado profissionalmente?

JCM: Sim. As oportunidades têm sido directamente proporcionais ao empenho que coloco no que faço, à minha capacidade de trabalho .

JMM: O concurso a Herança foi um bom presente?

JCM: Os presentes não se escolhem. Aceitam-se com um sorriso nos lábios.
É sempre bom quando nos dão.

JMM: O que achas dos reality shows?


JCM: Como produtos televisivos e fenómenos sociológicos, são apaixonantes. Sou cliente. Mais antes do que agora.

JMM: Eras capaz de entrar num programa desse género?

JCM: Se continuar a pensar como penso hoje, não.

JMM: Quem gostarias de ter a trabalhar contigo, que não tens e que fazia falta?

JCM: Ainda gostava de voltar a trabalhar com a Ana Lamy.

JMM: E o sonho de pintar, onde fica no meio de tanto trabalho?

JCM: Como uma das minhas formas e forças de expressão. Com interrupções, mas segue dentro de momentos.

JMM: Na televisão, incluindo a TV Cabo, o que mais gostas de ver?

JCM: Como tenho tão pouco tempo, notícias, algum entretenimento e na falta de real sex, Sexy Hot (que saudades!). Do Vénus já não gosto tanto. (risos)

JMM: Como profissional de televisão, como analisas o cenário que vivemos nos dias de hoje?

JCM: Domique Wolton chama-lhe a Cultura do Instante. É preciso introduzir neste meio, uma categoria de tempo, a que eu gosto de chamar, Cultura da Memória. Só assim será possível passar da Sociedade da Informação, em que vivemos, para a desejável e urgente Sociedade do Conhecimento. Como? Desenvolvendo competências que nos permitam abandonar a passividade e tornarmo-nos cidadãos activos. (cF. Reginaldo de Almeida. Voo da Borboleta, Media XXI, Lisboa, 2006). E, já agora, menos inveja, por favor!

JMM: Tens amigos no meio?

JCM: Tenho amigos em todo o lado. Construí a minha própria maçonaria. (risos)

JMM: Como é ter um largo com o teu nome na terra que te viu nascer ?

JCM: Não há nada melhor do que o reconhecimento daqueles que nos viram nascer. É um orgulho e uma responsabilidade.

JMM: Como é o Malato fora do ecrã?

JCM: Bastante mais magro. É o que todos dizem!

JMM: A tua vida pessoal é muito reservada. É uma opção?

JCM: A minha vida pessoal não tem interesse para o público em geral. Só em particular. (risos)

JMM: Que principais diferenças vês entre Lisboa e o Porto?

JCM: Lisboa é feminina, o Porto, masculino.

JMM: Fala-me agora dos teus projectos futuros.

JCM: Deixar de fumar. Já não aguento mais.

JMM: Qual a pergunta que nunca te fizeram e que gostasses de responder?

JCM: Queres que o Sexy Hot volte ao cabo? Siiiiiiiiiiiimmmmmmm. (risos)

18 fevereiro 2006

Saúde mais cara em Portugal


Surgiu hoje uma noticia, que quando ouvi, não queria acreditar. Correia de Campos, ministro da Saúde, informou que no próximo ano os utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) poderão ter de comparticipar, entre 25% a 50%, as despesas com os seus tratamentos.

Todos os portugueses sabem das dificuldades orçamentais com que se deparam os diferentes ministérios, mas o sr. Ministro Correia de Campos deve desconhecer o termo “serviço público” e a própria Constituição portuguesa que refere que a nenhum cidadão deve ser vedado o acesso à saúde.

A tornar-se realidade esta notícia, os portugueses devem começar a ficar preocupados. Num país que está a atingir índices de desemprego nunca antes alcançados, esta medida vai agravar ainda mais a situação.

Tudo isto torna-se ainda mais estranho se tivermos em conta que este ministro faz parte de um governo socialista que tem na sua filosofia politico-partidária a ajuda aos mais pobres e mais desfavorecidos socialmente e que andou sempre em campanha a apregoar a solidariedade . Ora, esta medida não irá afectar o bolso dos ricos mas precisamente das classes mais pobres.

O “pai” do SNS, António Arnault, mostrou-se chocado com a notícia e apelou ao primeiro-ministro para “travar os ímpetos capitalistas”.

Espero, sinceramente, que esta seja apenas uma partida, antecipada, do dia 1 de abril.

13 fevereiro 2006

"O voo da borboleta - Crónicas da sociedade de informação"


Foi lançado, esta semana, na fnac do norteshopping, o livro “O voo da borboleta – Crónicas da sociedade da informação” da autoria do Professor Reginaldo Rodrigues de Almeida.

No prefácio do livro afirma-se que “ como um jogo de palavras cruzadas, assim é a nossa sociedade. Cada letra e cada sílaba têm múltiplos entendimentos, têm variados sentidos, têm até, distintas interpretações, conforme a orientação. A pluralidade de sociedades onde vivemos em simultâneo é cada vez maior, fruto duma mescla ambígua e aparentemente contraditória de fragmentação e de globalidade”.

Joaquim Letria, que prefacia “O voo da borboleta refere que “nunca as informações circularam de forma tão abundante e instantânea, mas as decisões macro e microestratégicas são tomadas com base em dados restritos e informações classificadas, exclusivas de clientelas seleccionadas”.

Este livro, aparentemente direccionado para pessoas que estudam as matérias relacionadas com a comunicação/informação, é uma mais valia para todos aqueles que não querem deixar de pensar e que querem ter uma voz activa e participativa na sociedade em que vivemos.

O voo da borboleta – Crónicas da sociedade de informação” aborda os mais diversos temas – globalização; economia; educação; saúde; tecnologias; ambiente; cidadania - e é seguramente um livro que apela à reflexão.

Vivemos num mundo em que tudo acontece a uma velocidade quase inatingível. O sociólogo francês Dominique Volton chama-lhe a “cultura do instante”. Parece que as pessoas deixaram de ter memória e que apenas valorizam o presente: o imediato. Uma cidade, um país ou um continente sem memória deixa de ter história, de ter passado.

Somos confrontados com os slogans publicitários, redutores, a afirmar que vivemos numa Sociedade global”. Mas, de facto vivemos, inconscientemente, mergulhados em várias sociedades que vão desde a sociedade da mobilidade à sociedade da moda porque “ter e ter mais que os vizinhos parece ser algo, não só importante, como indispensável”.

A Internet veio vincar ainda mais a necessidade de cada indivíduo estar online com o resto da sociedade. O velho postal dos correios, outrora cantado pelo projecto musical Rio Grande” deu lugar ao e-mail. As visitas aos museus ou às bibliotecas foram substituídas por horas e mais horas em frente ao computador, porque estes, actualmente, são facilmente transportáveis. Cada vez é mais usual estarmos sentados no café e, à nossa frente, estarem várias pessoas com o computador portátil aberto insinuando que tudo nesta sociedade se tornou pragmático, até mesmo as relações inter-pessoais, porque o Messenger e outros programas similares possibilitam as conversas em tempo real como se real fosse a presença do nosso interlocutor.

A informação circula , também, a uma velocidade nunca anteriormente atingida. É possível ver, em directo, comodamente no sofá, um avião atravessar as torres gémeas em Nova Iorque matando milhares de pessoas. E o que foi dito no notíciario das 10 horas perde toda a actualidade quinze minutos depois.
O Professor Ciro Marcondes Filho considera mesmo que a crescente velocidade de circulação de mensagens e em quantidade crescente confunde os cidadãos. Questiona mesmo até que ponto, numa sociedade hipermediatizada, temos capacidade para captar tamanho caudal de informação a tão grande velocidade e muitas vezes contrária. Nos mass media sobre um determinado assunto o receptor pode encontrar perspectivas diferentes mas igualmente fundamentadas. O receptor fica desinformado. A palavra-chave são os critérios de selecção.

O livro “O voo da borboleta - Crónicas da sociedade da informação” é um bom ponto de partida para uma profunda introspecção sobre a necessidade de uma boa formação e informação ao serviço da comunidade. Um livro da editora Media XXI, a um preço acessível,a rondar os 15 euros, e da autoria do Professor Reginaldo Rodrigues de Almeida.

12 fevereiro 2006

O segredo de Brokeback Moutain


Ontem fui ver o filme de que se fala actualmente.
O segredo de Brokeback Moutain: o filme que se arrisca a ser o mais premiado na noite da entrega dos Oscares.

A sala do cinema estava praticamente vazia. Não sei se por ser a sessão da meia noite ou porque, em pleno sec. XXI, as pessoas ainda sentem pudor em ver uma historia de amor entre duas pessoas do mesmo sexo.

Quando entrei na sala notei que a maioria dos presentes não se sentia muito à vontade. Percebia-se que pairava, no ar, um certo nervoso miudinho.
Ninguém sabia muito bem o que iria ver, até porque a estreia, em Portugal, tinha sido no dia anterior.

Começa o filme.

Nota-se que, em termos de produção, não houve um grande investimento financeiro. Mas nem por isso o filme perde interesse.

A história resume-se desta maneira: um amor intensamente vivido e intensamente sofrido.
Em momento algum é explorado o lado homossexual da história. É sempre posto em evidência o facto de duas pessoas se amarem e a sua idiossincrasia.

Se somos informados, logo no início do filme, que os factos ocorrem no ano de 1963, somos confrontados com uma história ainda bem actual.

Duas pessoas que se amam e que, por imposição da sociedade, são obrigadas a esconder esse amor e a construírem vidas paralelas.
É um Romeu e Julieta da dec. de sessenta, mas neste caso vivida por dois “Romeus”.

Grandes planos e grandes silêncios são a tónica dominante.

Nos EUA o filme começou a ser projectado em pequenas salas de cinema para posteriormente passar para as grandes salas.

Os americanos renderam-se ao Segredo de Brokeback Mountain. A euforia passou a ser tanta que foram estampadas em milhares de t-shirts a frase “quem me dera saber como deixar-te”; uma das muitas que fazem parte do argumento do filme.

Recomendo a ida ao cinema para descobrirem este segredo, independentemente de serem pró-homossexual, homofóbicos, ou indiferentes.

02 fevereiro 2006

Onde pára a polícia?!


Em Amarante impera o caos no trânsito. Os automobilistas estacionam onde querem, da forma que lhes dá mais jeito sem que sejam multados pelas autoridades.

Considero uma total falta de respeito que se estacione nos passeios – que eu saiba foram feitos para os peões.

É inadmissível ver tantos automóveis em frente ao “Solar dos Magalhães” numa rua agora mais apertada com os arranjos feitos naquela zona.

Não compreendo que seja permitido o estacionamento na entrada para o parque de Stª. Luzia quando o parque está vazio. É o caos total com condutores a quererem entrar ou sair e não ser possível, só porque alguem que não queria andar alguns metros a pé, deixou ali a sua viatura.

Mas os exemplos não se ficam por aqui: na biblioteca municipal; junto ao mercado; no arquinho; rua 31 de Janeiro; e mais ridículo de tudo – em frente ao posto da própria GNR.
Mas afinal onde pára a polícia?!

Concordo com a câmara quando refere que existem muitos parques, gratuitos, para estacionar, mas não compreendo o motivo pelo qual o nosso edil não quer a criação de polícia municipal pois esta poderia actuar a nível do trânsito.

Mas a câmara municipal também tem as suas responsabilidades neste caos em que vivemos: permitiu que muitos serviços, como por exemplo a conservatória, fossem para locais onde as acessibilidades e o estacionamento não são os melhores.

É de lamentar que os novos passeios, agora a ser construídos, já estejam estragados devido à falta de civismo que impera na cidade e para o qual contribui, e muito, a passividade das nossas autoridades.