12 fevereiro 2006

O segredo de Brokeback Moutain


Ontem fui ver o filme de que se fala actualmente.
O segredo de Brokeback Moutain: o filme que se arrisca a ser o mais premiado na noite da entrega dos Oscares.

A sala do cinema estava praticamente vazia. Não sei se por ser a sessão da meia noite ou porque, em pleno sec. XXI, as pessoas ainda sentem pudor em ver uma historia de amor entre duas pessoas do mesmo sexo.

Quando entrei na sala notei que a maioria dos presentes não se sentia muito à vontade. Percebia-se que pairava, no ar, um certo nervoso miudinho.
Ninguém sabia muito bem o que iria ver, até porque a estreia, em Portugal, tinha sido no dia anterior.

Começa o filme.

Nota-se que, em termos de produção, não houve um grande investimento financeiro. Mas nem por isso o filme perde interesse.

A história resume-se desta maneira: um amor intensamente vivido e intensamente sofrido.
Em momento algum é explorado o lado homossexual da história. É sempre posto em evidência o facto de duas pessoas se amarem e a sua idiossincrasia.

Se somos informados, logo no início do filme, que os factos ocorrem no ano de 1963, somos confrontados com uma história ainda bem actual.

Duas pessoas que se amam e que, por imposição da sociedade, são obrigadas a esconder esse amor e a construírem vidas paralelas.
É um Romeu e Julieta da dec. de sessenta, mas neste caso vivida por dois “Romeus”.

Grandes planos e grandes silêncios são a tónica dominante.

Nos EUA o filme começou a ser projectado em pequenas salas de cinema para posteriormente passar para as grandes salas.

Os americanos renderam-se ao Segredo de Brokeback Mountain. A euforia passou a ser tanta que foram estampadas em milhares de t-shirts a frase “quem me dera saber como deixar-te”; uma das muitas que fazem parte do argumento do filme.

Recomendo a ida ao cinema para descobrirem este segredo, independentemente de serem pró-homossexual, homofóbicos, ou indiferentes.

7 comentários:

Anónimo disse...

A sociedade mundial já estava a precisar de um filme assim, algo que não veja a homossexualidade como simples relação entre duas pessoas do mesmo sexo, mas omo uma relação entre duas pessoas; duas pessoas de carne e osso como todos nós; duas pessoas que sentem tal como todas as outras.
Espero que este filme traga algo de positivo à sociedade portuguesa, que bem precisa de abrir os horizontes, muito fechados e tradicionais.

Anónimo disse...

Brokeback Mountain é uma película excelente, que nos surpreende pela sua caracterização sui generis de muitas das experiências vividas por estas pessoas. Talvez seja um começo para uma nova geração de mentalidades na sociedade mundial, pois a realização deste filme teve a decência de explorar o sentimento entre duas pessoas do mesmo sexo e não a futilidade do sexo em si.

Anónimo disse...

Fui ver o filme na estreia e gostei bastante. Confesso que a causa gay me era indiferente mas percebi que o amor existe independentemente do sexo das pessoas. Vou ficar mais atento a esta problematica.
Parabens ao autor deste blogue. Sou leitora assídua do mesmo.

Alda Sousa; Abrantes

Anónimo disse...

Zé Manel, não podia deixar de dizer alguma coisa. Você sabe porquê! Ainda não vi o filme, mas não vou deixar de ver.
Bem haja por ter o cuidado de falar daquilo que o "toca".

Um beijo,

Elisa

Anónimo disse...

Bem, vi hoje este filme e considero que é o exemplo que não é necessário grandes investimentos para grandes películas.
De facto o amor é o mais importante. O amor move montanhas, ate move brokeback moutain.
Parabens pelo blogue.
Catarina - Idanha-a-Nova

RM disse...

Já tive a oportunidade de ver o filme de que tanto se fala no momento. Nunca tive tabus em relação à homossexualidade e por isso fiquei um pouco desiludida com o filme. Para mim vale mais pela pertinência, alguns pensarão polémica do tema do que propriamente pela história em si. Toda a gente sabe que existem desde sempre relações homossexuais, escondidas no meandro das convenções e padrões sociais. Pode ser que o fenómeno de massas como o cinema, consiga dispertar consciências, embora considere que, pelo menos no nosso país, ainda estámos longe disso.

Lasanha disse...

Boas, finalmente encontrei o teu blogue... :P

Eu fui ver o filme e gostei muito, mostra que realmente não barreiras para o amor e que desde que verdadeiro é sempre legítimo.

(tiveste azar, qd eu fui ver esgotou a sessão...)

Abraço!